Sunday, 23 January 2011

Kit Kat Thai

Sentada embaixo de uma árvore no Carlton Gardens, devorava com prazer um delicioso Kit Kat. Lembra quando tinha Kit Kat no Brasil? Eu era muito pequena, mas me lembro até do comercial! Ele continua delicioso!
Estava esperando Katty para irmos ao Melbourne Museum e observava o comportamento das pessoas que desfrutavam de um dia de domingo. Tentava adivinhar a qual nacionalidade pertencia cada um. A diversidade é bem grande por aqui.
De repente vejo passar por mim uma garota de mais ou menos 22 anos, aos prantos. Ela chorava tanto que nem me ouviu chamando por ela. Peguei um Kit Kat novinho no bolso, fui até ela e ofereci. Ela sorriu agradecendo e depois me contou o que havia acontecido.
Seu noivo estava vindo da Tailândia para encontrá-la, mas ela se apaixonou por um americano. O que fazer?
Neste exato momento Katty chegou. O americano estava disposto a enfrentar os problemas que surgiriam com esta relação, mas ela estava com medo de enfrentar o noivo e a família.
Resumimos a conversa em duas palavras: Tarde demais.
Ela já havia tomado a decisão. Queria ficar com o americano. Era tarde demais para tentar reverter esta situação. Tarde demais para voltar atrás. Tarde demais para ter medo.
Deixamos a visita ao museu para outro dia, fomos até a bottle shop mais próxima, compramos várias Coopers e fomos para casa com a nossa nova amiga tailandesa, Sunisa.

Ela já não tinha mais tanto medo assim. Sabia o que devia ser feito.
E não via a hora disso acontecer.

Australian Open with avocado

É impressionante como o tempo passa rápido quando você está viajando. É tanta informação ao mesmo tempo, tanta coisa para absorver que a gente fica até um pouco atordoada. E apesar das enchentes as pessoas estão tentando seguir suas vidas como podem. Outro dia fui com André, o brasileiro que conheci no Réveillon, para a Federation Square ver as partidas do Australian Open no telão. A cidade pára pra ver as partidas como a gente pára no Brasil para assistir ao futebol. Confesso que não sei muito sobre tennis, mas só de sentir a empolgação das pessoas já é maravilhoso. E é claro que eu precisava ver um jogo ao vivo, não é? Fomos até o Rod Laver Arena assistir ao jogo do inglês Andy Murray contra o espanhol Guillermo Garcia-Lopez. O britânico não teve dificuldades em vencer o espanhol por 3 sets a zero em quase uma hora e meia de partida.  Eu adorei. Claro que é totalmente diferente do que ver uma partida de qualquer coisa no Brasil. Aqui as pessoas ficam muito quietas para não atrapalhar os jogadores e a limpeza do lugar é impressionante.
Saindo de lá fomos ao Burlesque Bar, na Johnston St, pertinho de casa. Muito lindo, com uma decoração meio kitsh. Aqui perto tem vários pubs super charmosos. Já fui a vários e é ótimo para conhecer pessoas.
Falando em conhecer pessoas, conheci vários amigos do André. Ele já sabe de tudo por aqui e me dá várias dicas. Mora com dois australianos e uma americana, Dave, Simon e Katie. É ótimo conhecer australianos, para poder me aproximar mais da cultura daqui. Você sabia que os australianos adoram colocar abacate em tudo? No Brasil a gente faz vitamina de abacate com leite e açúcar, mas aqui eles cortam em cubos e colocam na salada. Achei bem interessante. O Dave pega o abacate e passa no pão como se fosse manteiga. Muito engraçado!

E olha que lindo meio de transporte existe aqui! É eficiente, charmoso e não polui!

Até já!!!


Friday, 21 January 2011

O Poder das Águas

Muita coisa aconteceu desde que cheguei em Melbourne. Morar com a Katty está sendo ótimo, nos damos muito bem. Conheci pessoas incríveis e vivi coisas maravilhosas até agora.
Mas nada disso tem importância diante de todos os acontecimentos. Uma forte enchente devastou áreas inteiras da Austrália. Queensland foi o local mais atingido, mas aproximadamente 70 cidades e mais de 200.000 pessoas foram afetadas.
Em Melbourne está tudo bem, mas a comoção é geral. Vários postos de coleta foram montados e o governo criou uma conta para doações. Todos estão engajados em ajudar os desabrigados e o sentimento por aqui é de total solidariedade.
E estando longe assim da minha terra, descubro que uma forte enchente também devastou cidades na região serrana do Rio de Janeiro. Quando vi as fotos não acreditei. Parecia que um tsunami tinha passado por lá. Me lembro das vezes que caminhei pela praça de Nova Friburgo, que entrei no Cadima Shopping, que parei na Padaria Novo Milênio para comer um pão bem fresquinho. Até de teleférico já andei por lá. É chocante ver o que aconteceu com a cidade. Na hora mandei mensagens para amigos que tinham parentes em Teresópolis e em Friburgo, mas felizmente as perdas foram só materiais. Li no jornal que este é considerado o maior desastre natural já ocorrido no Brasil. Mais de 700 mortos e muitos desabrigados.
Meu irmão me disse que a comoção no Brasil também é geral. Mantimentos e material de higiene estão vindo de toda a parte e o número de doações de sangue aumentou em 200%!
Me orgulho em ver o quanto as pessoas são solidárias. As imagens do Rio mostradas aqui foram de total devastação.

Enchente no Rio, enchente na Austrália...  Eu sigo ajudando como puder.
E logo reconstruiremos tudo de novo!





Monday, 10 January 2011

Incredible New World!

Sem fôlego, sem tempo, sem palavras... Cheguei em Melbourne dia 31 do ano passado e só agora tive tempo de escrever. Inacreditável mundo novo!
O vôo foi mais do que tranqüilo. Consegui duas poltronas e vim dormindo direto.
Assim que saí do aeroporto e dei a primeira respirada no ar australiano, me senti livre pela primeira vez. E a sensação é incrível! Dá um êxtase misturado com um frio na barriga... Entrei no táxi e fui direto para o Miami Hotel Melbourne, que eu já tinha reservado do Brasil. Nada muito caro. Pensei em um lugar tranqüilo, mas perto de tudo.  Estava um friozinho... Já esperava, eram 8 da manhã ainda. Mas o céu estava com um azul todo especial.
Chegando ao hotel, tomei um banho rápido pra tirar aquela sensação de avião, coloquei uma roupa e fui pra rua. Peguei a King St e fui andando sem rumo. Era engraçado porque a rua estava deserta. Um carro ou outro passava de vez em quando. Continuei andando sem parar. Queria só ficar sentindo a sensação de estar do outro lado do mundo, sozinha, sem conhecer ninguém e andando sem rumo pela rua. Não dá nem pra descrever. Todo mundo devia ter a oportunidade de se sentir livre pelo menos uma vez na vida. Sem rumo, sem preocupação, só andando em um mundo totalmente novo e desconhecido.
Dobrei a esquerda e entrei na Flinders Street. Aí as coisas estavam mais agitadas. Nem sabia que horas eram porque meu celular ainda não tinha se acostumado com o novo fuso. As lojas estavam a todo o vapor e as pessoas andavam pra lá e pra cá cheias de pressa. Claro! Último dia do ano de 2010. Correria e ansiedade naturais.
De repente paro em frente a uma construção lindíssima. Fiquei um tempo olhando os detalhes e realmente é uma obra de arte. Quando cheguei mais perto descobri que era a Flinders Station, estação ferroviária inaugurada em 1910! Muito linda!
Quando cheguei na esquina fiquei extasiada. Daria pra fazer um filme inteiro, só nesta esquina. As construções, o desenho das ruas, o contraste do moderno e do antigo. Não dá pra não ficar de boca aberta. Estava entre a Flinders Station,
Federation Square
e St. Paul Cathedral.  Absolutely Amazing!!!
Andei entre as construções e parei em um café em frente ao SBS Building. Fiquei um tempão admirando o movimento das pessoas. Sexta feira, dia de trabalho para muitos. Outros já faziam a comemoração do Ano Novo antecipada e passavam dando gargalhadas cheios de sacolas nas mãos.
Enquanto espero meu café com torta de maçã um casal passa por mim e me pergunta as horas.
“I have no idea!” eu disse.
E todo mundo caiu na gargalhada. Convidei os dois tão perdidos quanto eu para sentar na minha mesa. Antoin e Claire. São franceses, casados à dois anos e estão morando em Melbourne por um ano a trabalho. Ele trabalha como contador em uma empresa daqui e ela é babá. Eles adoraram a minha história de volta ao mundo e perguntaram se eu não queria passar a virada do ano com eles e três amigos. Imagina se eu iria perder uma dessa, não é?
Para resumir a história. Minha virada do ano foi em um mini cruzeiro pelo Rio Yarra, dando voltas pelos eventos que estavam acontecendo às margens do Rio. Quando deu meia-noite, ficamos pertinho das plataformas com o show de fogos de artifício. Foi absolutamente incrível!
Quando voltamos à terra firme, quer dizer, depois de muuuita Coopers, a terra não estava mais tão firme assim. Eu, Antoin, Claire, o casal de amigos ingleses Greg e Paula e como não poderia faltar, um brasileiro! Tava demorando pra conhecer algum brasileiro aqui. André, uma figura! Ficamos amigos de cara. Ele é mineiro e está aqui em Melbourne desde 2008.
Nossa, já escrevi pra caramba e ainda tem um monte de coisa pra contar!
Depois do barco ficamos vagando bêbados pelas ruas de Melbourne e me lembro de ter voltado ao hotel às 8 da manhã, completando assim, 24 horas acordada.
Não podia ter sido melhor.
Passada uma semana que cheguei, informo que já estou morando em um apartamento bem legal na Bell Street, Fitzroy. Divido com a Katty, uma inglesa amiga do Greg.
Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Já conheci pessoas incríveis, saí do hotel faz dois dias. E o que eu mais gosto é de ficar andando na rua e observando o movimento. O dia-a-dia das pessoas. Conhecer os hábitos, o tipo de vida, o jeito. Está sendo uma grande descoberta.  
Aos poucos vou contando os detalhes, já tenho um monte de histórias.
Minha volta ao mundo começou muito bem. A sensação de liberdade realmente é uma droga que vicia. E eu estou completamente entregue.

Happy New Year!!!

Minha primeira foto não podia ser melhor!  

Totalmente entregue...