Monday, 27 June 2011

Harbour Bridge

O dia estava lindo! Aproveitamos o fim de semana de céu azul para fazer uma aventura deliciosa. Cruzar a Harbour Bridge a pé.
Marcamos o ponto de encontro no café que fica na porta do QVB e nos deliciamos com o brownie enquanto esperávamos Manu e Fábio. Comigo estavam Jess e Brian.
Desde que cheguei aqui sempre admirei esta construção linda, um dos cartões postais de Sydney. De dia ou de noite, a Harbour Bridge é sempre um espetáculo à parte.
A travessia foi tranqüila e a vista espetacular. Ventava muito, mas o céu estava com um azul todo especial.
Quando chegamos do outro lado, andamos pelas ruas charmosas e sentimos uma tranqüilidade diferente, um silêncio incomum. Sentamos em um banco com vista privilegiada para a ponte e ficamos admirando toda aquela beleza.

Naquele momento, pela primeira vez, pensei que em breve começaria a sentir falta deste lugar. Que a partir de agora, o relógio começaria a contagem regressiva.
Senti um aperto dolorido no peito e ao mesmo tempo, me senti abençoada por estar ali.

Não demoramos muito, pois a aventura ainda não tinha terminado. Queríamos ver o pôr-do-sol do Ópera House, ou seja, desbravar a Harbour Bridge mais uma vez!
A volta foi mais linda ainda, o céu já começava a mudar de cor.
E para nos presentear ainda mais, olha só o pôr-do-sol que assistimos de camarote! Uma verdadeira obra de arte.



Quanto ao Owen, o noivo arrependido, realmente era casamento dele naquele dia. Os detalhes não dá para contar, mas ele descobriu algumas coisas sobre a noiva um dia antes do casamento. Depois, só se lembra de ter entrado no Golden Sheaf para afogar as mágoas e de acordar no sofá da casa da Kate no dia seguinte.
Esta história está longe de terminar. A família ficou louca atrás dele, os convidados esperando, maior vexame.
Ele tem até ficado uns dias na Kate, pra fugir da loucura. Ela está adorando ter ele por perto, mesmo com esta confusão toda. E ele está mais perdido do que nunca!
Vamos ver no que isso vai dar...

Saturday, 25 June 2011

Hora Certa

Não posso deixar de contar o que aconteceu com o Owen, amigo da Kate que deixamos desmaiado no sofá na semana passada. Imagina que ele acordou no dia seguinte com a maior ressaca da vida dele, vomitou na sala toda e ficou até a hora do jantar sem lembrar onde morava e muito menos quem era a amiga dele de infância chamada Kate.
Foi muito engraçado. A Kate com a maior paciência do mundo, tentando fazer ele lembrar que ela era vizinha dele em Palm Beach e ele não conseguia nem lembrar que tinha morado lá.
Depois que ele melhorou e finalmente se lembrou da Kate, ficou morrendo de vergonha. Não conseguia nem olhar pra ninguém, cheio de ressaca moral. Todo mundo deu risada e tentou deixar ele à vontade, contando vários casos de bebedeiras que já aconteceram com a gente.
Foi aí que ele disse num tom sério:

           “Hoje é o meu casamento.”

Silêncio geral.

“Hoje? Que horas?” perguntou Jess quebrando o gelo.

“Às 18 horas.” respondeu.

Ao mesmo tempo, todos olharam para o relógio de parede que fica pendurado em cima da geladeira da cozinha da Kate.

Hora certa: 20h42min.

Naquele momento, ninguém perguntou mais nada.


Thursday, 16 June 2011

Surpresas da Infância

Outro dia fomos a um pub ótimo em Double Bay. Lugar enorme e super simpático. São vários pisos diferentes com vários estilos diferentes e uma área com música ao vivo e restaurante com uma decoração especial. O nome é Golden Sheaf Hotel e fiz até questão de colocar uma foto da fachada para mostrar como é legal. Que bom que na foto tá um dia lindo, porque agora está um frio e uma chuvinha... A foto foi tirada faz um mês mais ou menos, quando passamos de carro e prometemos voltar.
O bar da esquerda, no ground floor, é bem cheio e tem uma área com sinuca. À direita é a área de gambling, com aquelas máquinas caça-níquel que são proibidas no Brasil. Aqui na Austrália é uma febre. Quase todo o pub por aqui tem essas máquinas. Eu experimentei e joguei 10 dólares, que perdi tão rápido quanto devorei os doces que ficavam no potinho entre as máquinas.
Preferi gastar meu dinheiro em coisas melhores como, por exemplo, o saborosíssimo eye fillet, do restaurante de lá. É de dar água na boca!
No andar de cima as salas se dividem em diversos ambientes com tipos de decoração diferentes. Tudo de muito bom gosto e decorado das paredes aos mínimos detalhes. Eu adorei e recomendo!
Quando estava no bar da sinuca pegando bebida para todos, um cara falava sozinho encostado no balcão bem perto de mim. Não dava para entender o que ele falava, porque a música estava muito alta e ele um pouco bêbado. Não dei muita importância, peguei as bebidas e voltei para a área aberta. Quando fomos embora, por volta da meia-noite, encontramos o mesmo cara sentado em frente ao Woolworths ao lado do pub. Estava bem vestido e abraçava uma garrafa de vinho quase no fim. Agora não dizia nada e seus olhos estavam fixos no chão.

“Este é o mesmo cara que eu vi falando sozinho lá no bar,” disse.

Quando Kate se virou para olhar, a surpresa:

“Owen???”

Realmente o mundo é um ovo. Owen e Kate foram vizinhos e namoradinhos na infância quando ela morava em Palm Beach com os pais. E agora, este encontro inesperado! Quer dizer, meio encontro, porque ele não tinha a menor idéia do que estava acontecendo, de tão bêbado.
Levamos Owen com a gente, senão ele iria passar a noite lá mesmo no maior frio. E perguntar para ele não era a melhor opção no momento.

Entramos no táxi e o deixamos totalmente desmaiado no sofá da Kate.



Monday, 13 June 2011

Quem venceu?

Briga: Brian (americano) x Irish Guy.
Motivo: Futebol americano x Hurling
Resultado: Brian ganhou um nariz quebrado e o cara um olho roxo.

Desde que Brian veio da Califórnia há 7 meses atrás morar com o primo Jess em Sydney, as coisas não tem sido fáceis. Não foi a primeira vez que Brian brigou em um pub por aqui. Jess me disse que uma vez ele quase foi preso por desacato à autoridade na saída de uma festa e que só aliviaram porque ele intercedeu à favor do primo.
Conheci Brian no meu segundo dia em Sydney e desde que decidimos dividir o mesmo teto tudo tem sido bem divertido. Mesmo com 24 anos, mesma idade que eu, é como se ele ainda fosse uma criança. A gente dá muita risada, mas sei que para Jess não é tão divertido assim.
“Me sinto responsável por ele. Tenho que ficar cuidando para ele não fazer nenhuma besteira e não deixar minha madrinha preocupada.”
Quando Brian entrou na sala seu nariz estava do tamanho de uma batata e ele gemia de dor. Jess fechou a cara e ficou grudado no jogo de Cricket que passava na TV. Ele parou em frente ao sofá e começou a pedir desculpas. Cada vez que tentava se explicar, movia o rosto e gemia novamente de dor. A cena estava tão cômica que ninguém agüentou e todos caíram na gargalhada.
“Desta vez passa, mas vê se aprende.” resmungou Jess sem tirar o olho da TV.
Brian me olhou de canto de olho e deu uma piscadinha seguida de um meio sorriso.
Parece que ainda há muito que aprender.

Saturday, 11 June 2011

Exploring Coogee

O dia seguinte ao desentendimento começou silencioso e aos poucos foi voltando ao seu normal. Jess não tocou mais no assunto e quando perguntei se estava tudo bem ele disse que tudo já havia passado. Melhor assim.
Outro dia fui com a Manu até Coogee. Desde que nos conhecemos no 3 Wise Monkeys Pub, nunca saímos sem Jess e Fábio, ou seja, raramente falamos português. Ótima oportunidade para tagarelar na nossa língua! Manu é uma ótima pessoa. Teve uma vida difícil em Juiz de Fora e se mudou para São Paulo com a família para conseguir alguma coisa melhor. Foi aí que ela conheceu Fábio e em dois anos eles decidiram se mudar para Sydney e juntar dinheiro. As coisas estão um pouco mais difíceis do que eles pensavam, mas mesmo trabalhando em um restaurante italiano, estão conseguindo aos poucos, fazer raízes. Quando perguntei se eles faziam idéia de quanto tempo iriam ficar por aqui, a resposta foi a mesma que costumo dizer: “Não sei.”
Coogee é um excelente bairro para se morar. A praia é linda e a área verde é cheia de lugares para fazer churrasco. Tudo limpinho e organizado. O frio anda castigando por aqui, ainda mais para uma carioca friorenta. Mas mesmo assim várias pessoas caminhavam, pois os dias têm sido muito bonitos. Andamos por várias ruas do bairro, para sentir seu funcionamento. Estava tudo bem tranqüilo e apesar das ladeiras, exploramos bastante o bairro. Paramos no Garlo´s Pies e nos deliciamos com a torta vegetariana, que além de barata era super saborosa. Pena que não temos este costume de comer torta no Brasil. Em frente, demos uma olhada no Coogee Bay Hotel e tomamos nossa primeira cerveja do dia. Desta vez, uma Pure Blonde geladinha.
“Oba! Aqui tem churrascaria brasileira! Temos que vir matar as saudades do rodízio!”
Enquanto tomávamos nossa segunda schooner, meu telefone tocou. Era Jess avisando que Brian havia se metido em uma briga em frente ao Tea Gardens, em Bondi Junction.
Deixamos metade da Pure Bonde na mesa e pegamos o primeiro táxi para lá.

Saturday, 4 June 2011

The first fight

Jess e eu tivemos nosso primeiro desentendimento. Tudo aconteceu quando fomos à The Eastern, uma boate que fica bem em Bondi Junction, colado no Westfield Shopping. A noite foi super divertida, com Brian investindo pesado na Kate, que estava mais interessada em um irlandês de camisa xadrez e que bebia Guinness perto do bar. Ninguém teve sucesso e ambos saíram em busca de um táxi, coisa difícil por aqui em saída de boate.
Enquanto esperávamos, eu e Jess sentamos em um dos bancos da Junction, nos protegendo do vento gelado. Sempre tivemos uma relação tranqüila, sem cobranças. Desde sempre deixei claro que estava em Sydney só de passagem e que viveria esta experiência da melhor maneira possível. Teoricamente tudo bem claro, mas cada vez que pergunto a alguém sobre outras cidades, ele fecha a cara. Fico lisonjeada, tenho um carinho sem igual por ele e por tudo que estamos vivendo. Mesmo assim, continuo firme no meu objetivo de viajar pelo mundo, sem data e sem destino. É claro que justamente por causa dele, adiei minha partida por tempo indeterminado. Mas adiar é bem diferente de cancelar e isso não está sendo fácil para ele digerir.
“Daqui a três meses é meu aniversário. Tô pensando em fazer uma festa enorme pra comemorar. Pena que não está nos seus planos ficar tanto tempo por aqui.” disse ele, com a voz rouca.
Meu silêncio incomodou Jess ainda mais.
“Não sei por que ainda falo nisso. Não tem nada que possa fazer você ficar, não é?” completou.
Respirei fundo, pois não sabia que resposta podia dar. Qualquer palavra poderia resultar em um monte de conclusões equivocadas.
“Três meses. Daqui a três meses tudo pode acontecer. Não sei onde vou estar, com quem, por que e nem por quanto tempo. Se há três meses alguém me dissesse que eu estaria sentada em Bondi Junction discutindo a relação, eu não acreditaria. É isso que faz a vida tão espetacular. A incerteza. Tem certeza de que quer falar sobre isso agora?” desabafei impaciente.
Ele permaneceu mudo. Nisso, Kate e Brian gritavam na rua avisando que haviam conseguido um táxi.
Fomos calados até em casa e assim permanecemos até o dia seguinte.

Thursday, 2 June 2011

Funciona mesmo!

Uma salva de palmas para o metrô de Sydney. Pontualíssimo, organizado e espaçoso. O sistema é tão bem feito que percorre todos os pontos da cidade e nunca fica lotado. O metrô do Rio também deveria ser de dois andares! Nem na hora do rush é preciso se preocupar. Se os australianos acham que o metrô deles é cheio, é porque nunca andaram nos do Brasil! Impressionante! Fora que dá pra movimentar os encostos dos bancos e se estiver com uma turma, todo mundo pode sentar de frente para o outro. Uma idéia simples e boa, não é? Todas as linhas são divididas por cores e funciona muito bem. Apesar de que me perdi algumas vezes para mudar de linha na Town Hall Station e subi e desci as escadas um monte de vezes. Na Central Station também é mais complicado porque são milhões de plataformas diferentes, mas você acaba acostumando.

O serviço de ônibus também merece elogios. A lista de horários fixada no ponto de ônibus é sempre respeitada. Quem já tem o ticket, entra na fila da direita, para andar mais rápido. Quem paga na hora dá o dinheiro direto ao motorista, que dependendo da lotação, impede outros passageiros de embarcarem ou nem pára no ponto de ônibus. Já perdi um compromisso por causa disso, mas não dá pra reclamar. Assim tudo funciona melhor.

Já li na meteorologia que vai esfriar um monte neste fim de semana. Socorro! E eu que disse que iria começar minha viagem em um lugar quente. Haha Já usei até cachecol por aqui!